Os bastidores da queda: por que o Santos decidiu demitir Caio Couto

Por: Guilherme Lesnok | 25 de abril de 2026 | 14:40
Caio Couto foi demitido do comando do Santos (Foto: Reinaldo Campos/Santos F.C.)

O Santos confirmou, nesta sexta-feira (24), a demissão do técnico Caio Couto após uma sequência de resultados ruins. A decisão, porém, foi construída ao longo de meses e tem relação direta com a avaliação interna sobre desempenho, mesmo em momentos de conquistas.

A insatisfação de parte da diretoria não é recente. Ainda na disputa do Campeonato Brasileiro A2, já havia cobranças por uma evolução mais consistente da equipe. Apesar da campanha invicta na primeira fase, com seis vitórias e um empate, o rendimento nas etapas decisivas passou a gerar dúvidas.

Nas quartas de final, diante do Ação-MT, as Sereias avançaram com duas vitórias, mas o desempenho deixou ressalvas. No jogo de volta, na Vila Belmiro, o adversário chegou a empatar a partida e criou chances de virada, mesmo diante de um elenco considerado tecnicamente inferior e com menor investimento.

O cenário se repetiu na semifinal, contra o Atlético-MG. Após derrota por 1 a 0 na ida, na Arena MRV, o Santos venceu por 2 a 1 na volta, mas precisou da disputa de pênaltis para garantir a classificação. O desempenho voltou a ser alvo de questionamentos internos.

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Na final, contra o Botafogo, o time teve boa atuação na ida e venceu por 1 a 0, mas voltou a oscilar na Vila Belmiro. Saiu atrás no placar e precisou reagir para empatar e confirmar o título. Mesmo com o acesso e a taça, a leitura dentro do clube era de que o rendimento não acompanhava o potencial do elenco.

Pela Copa do Brasil, a equipe foi eliminada pelo América-MG após derrota por 1 a 0. Apesar do domínio da posse de bola, faltou efetividade ofensiva, um ponto que passou a ser recorrente nas análises internas.

Queda precoce e aumento da pressão

No Campeonato Paulista, a eliminação ainda na primeira fase aumentou a pressão interna. Resultados como a derrota para o Taubaté e o empate com o Realidade Jovem, na Vila Belmiro, foram tratados como inaceitáveis pela cúpula do futebol feminino. Aquela foi, inclusive, a única partida em que o Realidade Jovem pontuou em toda a competição.

A sequência negativa ampliou o desgaste nos bastidores. A derrota por 3 a 1 para o Red Bull Bragantino, na final da Copa Paulista Feminina, reforçou a avaliação de que a equipe não conseguia sustentar regularidade, mesmo em momentos decisivos.

Em reuniões internas, a coordenadora Thaís Picarte sinalizou ao treinador que, apesar do acesso à Série A1 e dos resultados pontuais, o nível de atuação estava abaixo do esperado. Havia, no entanto, o entendimento de que, com a chegada de novas peças e o fortalecimento do elenco, o desempenho poderia melhorar.

Natalia Galhote (supervisora), Caio Couto e Thais Picarte (Foto: Reinaldo Campos/Santos F.C.)

Reforços e falta de evolução

O clube foi ao mercado e trouxe nomes relevantes como Taty Amaro, Eudimilla, Yoreli Rincón, Letícia Santos e Katrine. A expectativa era de um salto de qualidade, mas a evolução coletiva não ocorreu na intensidade esperada.

A avaliação interna passou a ser de que o time pouco progrediu em relação à temporada anterior. Atuações inconsistentes e tropeços em jogos considerados acessíveis, como diante de Ferroviária e Botafogo, aumentaram a pressão sobre a comissão técnica.

O empate por 1 a 1 com o Atlético-MG, na última segunda-feira (20), na Vila Belmiro, foi o ponto de ruptura. O adversário vinha de campanha frágil na competição, e o resultado fez o Santos deixar a zona de classificação, acendendo o alerta definitivo.

Nos bastidores, o entendimento foi de que, pelo nível do elenco, a equipe não poderia apresentar uma sequência de atuações tão abaixo. A decisão pela demissão ganhou força e foi sacramentada após alinhamento entre Picarte e outros dirigentes.

Marcelo Frigerio e Thais Picarte (Foto: Reinaldo Campos/Santos F.C.)

Mudança e novo perfil no comando

Com a saída de Caio Couto, o Santos agiu rápido e anunciou Marcelo Frigerio como novo treinador neste sábado (25). Internamente, Frigerio é visto como alguém que entende mais do cenário atual do futebol feminino e pela capacidade de potencializar o rendimento individual das atletas.

O trabalho desenvolvido no Pumas foi determinante para a escolha. A aposta é de que, com o elenco atual, Frigerio consiga extrair mais da equipe e dar uma resposta imediata em desempenho e resultados.

O Santos terá o auxiliar Bruno Barbosa à frente da equipe no clássico contra o Palmeiras, na próxima segunda-feira (27), no Allianz Parque, pelo Brasileirão Feminino. Marcelo Frigerio assume oficialmente o comando após a partida. O clube deve registrar o nome do treinador no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF nos próximos dias.

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