Preparador de goleiras demitido por Rueda vence o Santos na justiça

Por: Guilherme Lesnok | 22 de agosto de 2025 | 09:47
Fabricio de Paula foi demitido do Santos (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)
Fabricio de Paula foi demitido do Santos (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/Santos FC)

O preparador de goleiras Fabrício de Paula, ex-funcionário do Santos, acusado de tentativa de manipulação de resultados no confronto contra o Red Bull Bragantino pelo Campeonato Brasileiro Feminino de 2022, venceu o processo que movia contra o Peixe por danos morais. A decisão, favorável em R$ 20 mil, foi tomada pela juíza Mayra Freire de Figueiredo, do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região, em Santos (SP).

O processo movido por Fabrício teve argumento de que o preparador de goleiras não teve direito à defesa e que sua demissão foi anunciada abertamente à imprensa. Na época, o então presidente do clube, Andres Rueda, concedeu entrevista coletiva para explicar o caso e afirmou que o profissional havia sido desligado por justa causa.

Apesar da vitória, a defesa do preparador de goleiras pretende recorrer, pois entende que o valor da condenação é baixo. Além disso, Fabrício de Paula busca reverter a decisão de justa causa.

“A divulgação na mídia, afirmando que o reclamante havia sido dispensado por justa causa, revela dupla punição, pois além de receber a penalidade da resolução contratual, tem o reclamante de arcar com os prejuízos da exibição de seu nome atribuída a um fato negativo em sua carreira. Nem se alegue que se trata de prática comum no meio desportivo, uma vez que o direito à imagem e à honra são invioláveis, constitucionalmente assegurados como fundamentais (art. 5, V e X, CRFB/88), protegido em face de atitudes abusivas.  Dessa forma, julgo procedente o pedido de danos morais e condeno a parte reclamada a pagar ao reclamante indenização no valor de R$ 20.000,00”, disse parte do processo no qual o Portal Sereias teve acesso.  

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O advogado Higor Maffei Bellini, responsável pela defesa de Fabrício de Paula, criticou a postura do Santos ao anunciar a demissão do preparador de goleiros sem permitir que ele apresentasse sua versão dos fatos. Segundo Higor, a coletiva de imprensa realizada pelo clube, sem a participação de Fabrício, configurou exposição indevida e duplicou a punição sofrida pelo profissional.

“Essa entrevista coletiva que o Santos fez tem que ficar de alerta para o Santos e para os demais clubes, que tudo aquilo que é dito numa entrevista coletiva ou individual para um atleta por um dirigente tem consequências no campo jurídico. Um dirigente não pode simplesmente sair falando aquilo que ele acha, que é aquilo que ele pensa. Ele tem que averiguar, ele tem que estar calçado com um monte de fatos. Não é simplesmente ligar a luz da câmera e sair falando, falando, falando. O que o Santos fez, de chamar uma coletiva de imprensa sem chamar o Fabrício antes para dar sua versão, sem dar a ele o direito de se explicar, foi um dos fatores determinantes. O Fabrício foi punido duas vezes. Foi punido com a justa causa e foi punido com a exposição pública dele sem que ele tivesse tido qualquer oportunidade de defesa prévia”, disse Higor em exclusividade ao Portal Sereias.

“Não conseguimos a reversão (da justa causa). Vamos buscar ela no tribunal dessa justa causa. Por causa disso que eu te falei, o Santos não deu a ele uma oportunidade de defesa. O Santos tomou uma atitude sem quaisquer cuidados anteriores, apenas o demitiu por justa causa e expôs ele na mídia, o que não pode”, completou.

O Portal Sereias entrou em contato com o Santos, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

Relembre o caso

Em coletiva de imprensa realizada no dia 20 de junho de 2022, o presidente do Santos, Andres Rueda, anunciou a demissão do preparador de goleiras das Sereias da Vila, Fabricio de Paula, após acusaão de tentar subornar uma jogadora do Red Bull Bragantino durante partida pelo Campeonato Brasileiro Feminino.

Rueda não revelou o nome do profissional nem da atleta envolvida, mas afirmou que o caso entraria em investigação. Segundo o presidente, o Boletim de Ocorrência havia sido registrado e incluia imagens, prints de mensagens e outras evidências relacionadas ao episódio. A partida terminou empatada por 1 a 1.

Em setembro do mesmo ano, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) decidiu banir do futebol o ex-preparador de goleiros do Santos pelo caso. A defesa do profissional entrou com uma ação civil no Rio de Janeiro, buscando a anulação da decisão.

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